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Dia do Rock - parte 2

por Blog + leitura — publicado 21/07/2017 00h00, última modificação 07/08/2017 12h11
Colaboradores: Fúlvio Galhardo (DeRef)
“Eu quero é rock”

Figura 1: O que sua vó chama de “Os Bítus”.

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Fonte: Parlophone Music, 2012.

Introdução                            

Continuamos com a comemoração do dia do rock e trouxemos mais 3 livros que influenciaram o estilo. Bora conferir?

1 O Apanhador no Campo de Centeio, de J. D. Salinger

Figura 2: O Apanhador no Campo de Centeio.

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Fonte: Fúlvio Galhardo, 2017.

Provavelmente um dos livros mais influentes da história do rock, ou pelo menos o que mais captura a essência do conceito do rock. O Apanhador conta a história de Holden Caulfield, um adolescente de 17 anos que volta mais cedo para casa no inverno depois de saber que, devido às más notas em todas as matérias, foi expulso da escola. O livro é narrado pelo próprio Caulfield em sua jornada para Nova Iorque, quando decide que ainda não quer voltar para casa e envolve-se em diversas situações.

O grande atrativo do livro não são as situações em si que rondam a vida de Holden, mas a sua visão e opinião sobre os fatos. O personagem é mau-humorado e está sempre expondo suas frustrações e questionamentos sobre as pessoas e o “modus operandi” do ambiente ao seu redor, ressaltando não encaixar-se no mundo e no que a sociedade espera dele.

A primeira relação do Apanhador com o rock já vem da época em que o livro foi lançado em 1951, tempo de contestação, de “Juventude Transviada” e do movimento beatnik, um grupo de artistas composto principalmente por escritores que rebelaram-se ao conservadorismo e à caretice vigente.

Holden Caulfield inspirou a juventude a contestar valores de uma época, reforçando o movimento de contracultura que marcou uma geração. Muitos músicos tiveram suas obras influenciadas pelo livro. Além da música “Who Wrote Holden Caulfield?” (“Kerplunk!”, de 1992), o Green Day faz referências a Holden Caulfield nos cinco álbuns da banda. A letra de “In Hiding”, do Pearl Jam, fala sobre tentar achar a casa de Salinger. O último disco do Guns N' Roses tem a canção "Catcher in the rye".

Figura 3: John Lennon memorial.

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Fonte: Killagb, 2007.

O livro também é conhecido por assassinatos, principalmente o de John Lennon em 1980, em que seu assassino, Mark Chapman, foi encontrado lendo tranquilamente o livro depois de disparar 5 tiros no ex-Beatle, esperando a chegada dos policiais. Mark diz ter-se inspirado na obra para cometer o crime.

Esse livro pode ser encontrado sob o código G 813 S165a.6 no Piso 2.

2 O Império dos Mutantes, de Stefan Wul

Figura 4: O Império dos Mutantes.

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Fonte: Fúlvio Galhardo, 2017.

Nessa ficção científica, a humanidade viajou há muito tempo para planetas-paraísos de sistemas distantes. Em volta do Sol apenas gravitavam mundos quase desertos. Só Vênus possuía uma sociedade organizada, considerada uma relíquia do antigo Império, mas grande parte da Ciência tinha se perdido. Havia grande desconfiança em relação aos “sábios”, que acreditavam ser suficiente utilizar velhas receitas herdadas do passado.

A Terra era vista como o planeta maldito e era proibido qualquer contato com ela. Aliás, o seu clima chuvoso e desesperante era suficiente para afastar os curiosos. Só contrabandistas sem fé, nem lei, ousavam lá chegar. Joachim, um biólogo de Vênus, oprimido pelos sábios de seu planeta, tem contato com um contrabandista que vende a ele livros proibidos de biologia oriundos da Terra. Logo ele vê-se encurralado em uma missão para o planeta maldito, mas, com o passar do tempo, encontra-se admirado e questiona sua antiga vida no planeta Vênus.

Figura 5: Os Mutantes.

Fonte: Jovem Guarda - Recordar é Viver (2012).

A relação do livro com o rock tem fundamento brasileiro, servindo de inspiração para o nome da banda Os Mutantes. Em 1966, eles ainda se apresentavam como um trio no programa “O Pequeno Mundo de Ronnie Von” da TV Record e até então chamavam-se “Os Bruxos”. O batismo surgiu antes de sua estreia na TV como Mutantes pelo próprio Ronnie Von, que estava lendo o livro de Wul na época. Cá pra nós, o nome caiu bem melhor. A banda acatou, fãs de ficção científica como eram, e a denominação caiu como uma luva, até mesmo para o conceito da banda, que misturava diversas influências em seu som.

Esse livro pode ser encontrado sob o código FC C691a v.107 no DeCORE.

3 O Senhor dos Anéis, de J. R. R. Tolkien

Figura 6: Os 3 livros da série O Senhor dos Anéis.

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Fonte: Fúlvio Galhardo, 2017.

Ok, são 3 livros, porém o próprio Tolkien planejou realizá-lo em volume único essa trilogia publicada entre 1954 e 1955. O Senhor dos Anéis (The Lord of the Rings) é um romance de fantasia criado pelo escritor, professor e filólogo britânico J.R.R. Tolkien. A obra é complexa, pois é composto por eras de histórias, de raças, de guerras, de línguas, etc. Um novo universo completo até os mínimos detalhes. Foi escrito entre 1937 e 1949, com muitas partes criadas durante a Segunda Guerra Mundial. Rendeu filmes, foi reimpresso várias vezes e traduzido para mais de 40 línguas, tornando-se um dos trabalhos mais populares da literatura do século XX (Cia do Leitor, 2014).

As obras de Tolkien espalham influências sobre o rock como um todo, em especial no heavy metal. Os alemães do Blind Guardian tem referências de várias obras de Tolkien em suas músicas, como "Lord of The Rings", "The Bard's Song - The Hobbit" e o disco "Nightfall in Middle-Earth". Algumas bandas foram batizadas por serem inspiradas nos livros de Tolkien, tal como o Gorgoroth, nome de uma das regiões da Terra-Média e Amon Amarth, que tem seu nome tirado da língua dos elfos-cinzentos e quer dizer "Montanha da Perdição".

A canção "The Gnome", do Pink Floyd, de 1967, descreve um universo muito parecido com o dos Hobbits. O Led Zeppelin fez várias referências aos livros. Na canção "Ramble on", Robert Plant canta sobre uma mulher que "conhecera em Mordor" que fora roubada por Gollum. Há referências também em "Misty Mountain Hop" e "The Battle of Evermore". A canção "The Wizard", do Black Sabbath, é uma ode a Gandalf. A canção "Stagnation", do Genesis, também tem grande influência da Terra Média. Já o Rush compôs "Rivendell", em homenagem a terra dos elfos. A canção "The Necromancer" fala sobre Sauron, o antagonista de Senhor dos Anéis (BBC, 2014).

Figura 7: Led Zeppelin.

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Fonte: Led Zeppelin’s Cadillac, 2008.

Agora já imaginou os Beatles numa adaptação cinematográfica de O Senhor dos Anéis? E ainda mais com direção do Stanley Kubrick? Se não, pode acreditar que sim, isso quase aconteceu.

Em 1969, após dois anos de negociações sobre os direitos da série, John Lennon, que era muito fã dos livros de Tolkien, vislumbrou a possibilidade de um filme em live-action junto com seus companheiros de banda, onde Lennon faria o papel de Gollum, enquanto Paul McCartney seria Frodo, Ringo Starr assumiria Samwise e George Harrison faria Gandalf.

A Apple Films entrou em contato com nada mais nada menos que Stanley Kubrick para dirigir o filme, mas Kubrick após analisar o projeto declarou que o livro era infilmável, referindo-se ao quanto seria desgastante colocar todo aquele material em tela. Enquanto isso Tolkien que, nessa fase, pelo contrato, ainda tinha os direitos do filme, não gostou da ideia dos Beatles adaptando seu livro e vetou totalmente a ideia de John. Com a separação da banda em 1970, o projeto foi engavetado novamente.
Essa história veio à tona quando Peter Jackson, em uma turnê de imprensa da trilogia original, encontrou-se com Paul McCartney e ele lhe revelou do dia em que quase foi Frodo Bolseiro (Mundo Freak, 2014).

Figura 8: Possível pôster do filme

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Fonte: Io9, 2011.

Esses livros podem ser encontrados sob o código G 823 T649 no Piso 2.

Contato

Para mais informações, entre em contato com Departamento de Referência (DeRef) pelo e-mail blog.maisleitura@ufscar.br ou pelo telefone (16) 3351-8135.

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Referências

 

BBC. Como 'O Senhor dos Anéis' virou um ícone da contracultura. 2014. Disponível em: <http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/11/141128_vert_cul_tolkien_dg>. Acesso em 03 jul. 2017.

 

CIA DO LEITOR. Resenha: O Senhor dos Anéis - de J.R.R. Tolkien. 2014. Disponível em: <http://www.ciadoleitor.com/2014/11/resenha-o-senhor-dos-aneis-de-jrr.html>. Acesso em 03 jul. 2017.

 

IO9. The Beatles' Lord of the Rings: A Stanley Kubrick Production. 2011. Disponível em: <http://io9.gizmodo.com/5721985/the-beatles-lord-of-the-rings-a-stanley-kubrick-production/>. Acesso em 03 jul. 2017.

 

JOVEM GUARDA - RECORDAR É VIVER. Os Mutantes. 2012. Disponível em: <http://jovemguardasempre.blogspot.com.br/2012/08/os-mutantes.html>. Acesso em 22 jun. 2017.

 

KILLAGB. Picture of John Lennon’s Strawberry Fields Forever Memorial from July 14, 2007. 18 jul. 2007. [S.l: s.n.]. Disponível em: <https://commons.wikimedia.org/wiki/File:StrawberryFieldsJuly2007.JPG>. Acesso em 13 jul. 2017.

 

LED ZEPPELIN’S CADILLAC. Led Zeppelin circa 1970. 26 maio 2008. [S.l: s.n.]. Disponível em: <https://www.flickr.com/photos/hotstuff4u/2523075701/>. Acesso em 13 jul. 2017.

 

MUNDO FREAK. Beatles e O Senhor dos Anéis. 2014. Disponível em: <http://www.mundofreak.com.br/2014/09/16/beatles-e-o-senhor-dos-aneis/>. Acesso em 03 jul. 2017.

 

PARLOPHONE MUSIC. Press photo of The Beatles during Magical Mystery Tour. 22 ago. 2012. [S.l: s.n.]. Disponível em: <https://commons.wikimedia.org/wiki/File:The_Beatles_magical_mystery_tour.jpg>. Acesso em 13 jul. 2017.

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