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Literatura Portuguesa

por Blog + leitura — publicado 08/09/2017 00h00, última modificação 22/09/2017 10h35
Colaboradores: Fúlvio Galhardo (DeRef)
“Ó mar salgado, quanto do teu sal São lágrimas de Portugal!” Fernando Pessoa.

Introdução

Gajos e raparigas, estão a ver se há algo preso em meu rabo? Êpa, calma lá, eu sei que pode parecer ofensivo o que acabei de dizer, mas se você viajar uns 7000 km em direção à Europa vai acabar caindo em Portugal, um lugar onde dizer o que eu disse é perfeitamente normal.

Figura 1 - mapa/bandeira de Portugal.

File:Flag-map of Portugal.svg

Fonte: Contributors, 2016.

É muito divertido conhecer as diferenças na cultura e na escrita dos nossos colonizadores, além de toda a influência deles em nossa terra. E é por isso que para essa semana nós separamos algumas obras de destaque da literatura portuguesa que se encontram na BCo para vocês. Bora conferir?

 

1 O Evangelho Segundo Jesus Cristo, de José Saramago

Figura 2 - capa do livro.

Fonte: Fúlvio Galhardo, 2017.

O título denuncia a história do livro. Conta a vida de Jesus Cristo a partir da perspectiva sensível de Saramago e, para isso, não ofende ou contraria em nenhum momento outras crenças. Apesar do ateísmo do autor, suas críticas são sutis e disfarçadas de ironia. O livro parte do nascimento até a crucificação como a história bíblica, porém Saramago distorce os evangelhos, aproveitando-os a partir de algumas lacunas deixadas na Bíblia e aproximando-os da realidade do leitor, tornando Jesus o mais humano possível, passível de erros.

Saramago é um dos grandes escritores da literatura mundial, ganhador do Nobel de Literatura de 1998, produtor de outros romances de grande sucesso como Ensaio Sobre a Cegueira e O Homem Duplicado.

Esse livro pode ser encontrado sob o código G 869.3 S243e no Piso 2.

 

2 As Máscaras do Destino, de Florbela Espanca

Figura 3 - capa do livro.

Fonte: Fúlvio Galhardo, 2017.

Um livro de contos da poetisa Florbela Espanca dedicado ao seu irmão que morreu tragicamente em um acidente de aviação em 1927. "Este livro é o livro de um Morto, este livro é o livro do meu Morto" introduz Espanca ao leitor. Foi publicada em 1931, um ano após a morte da poetisa, mas foi escrita logo após a morte do irmão e obtém uma versão mítica de sua morte no conto “O Aviador”.

A obra contém uma carga emocional um tanto quanto “pesada”. A autora revela que na época, no começo de um terceiro casamento, ela estava muito deprimida, doente dos nervos, fumando em demasia e emagrecendo. Os contos discorrem sobre a morte, o sofrimento, a confusão, mas também contém traços de desejo e erotismo.

Florbela Espanca foi autora de sonetos e contos importantes na literatura de Portugal. Uma das primeiras feministas do país, suicidou-se com o uso de barbitúricos, no dia de seu aniversário, às vésperas da publicação de Charneca em Flor, sua obra de maior sucesso publicada apenas em janeiro de 1931.

Esse livro pode ser encontrado sob o código G 869.3 E77m no Piso 2.

 

3 Os Lusíadas, de Luís Vaz De Camões

Figura 4 - capa do livro.

Fonte: Fúlvio Galhardo, 2017.

Os Lusíadas conta a jornada de Vasco da Gama e sua tripulação em busca das Índias. O livro, acima de tudo, conta a história do povo português. Teve inspiração na Odisseia de Homero e na Eneida de Virgílio. É uma obra poética e dividida em 10 cantos. Todas as estrofes seguem um padrão de rimas no formato AB AB AB CC:

“As armas e os Barões assinalados

Que da Ocidental praia Lusitana

Por mares nunca de antes navegados

Passaram ainda além da Taprobana,

Em perigos e guerras esforçados

Mais do que prometia a força humana,

E entre gente remota edificaram

Novo Reino, que tanto sublimaram;”

(Canto I, estrofe 1)

A história de Portugal é contada através de relatos dos personagens, em que o povo português é sempre louvado. O narrador descreve grandes feitos nesta história épica.

Camões é um dos cânones da literatura, sendo Os Lusíadas considerada uma das obras mais importantes de Portugal.

Esse livro pode ser encontrado sob o código G 869.1 C185Ld.13 no Piso 2.

 

4 Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa

Figura 5 - capa do livro.

Fonte: Fúlvio Galhardo, 2017.

A obra tem como autor Bernardo Soares, considerado um semi-heterônimo de Fernando Pessoa, pois para o autor “não sendo a personalidade a minha, é, não diferente da minha, mas uma simples mutilação dela. Sou eu menos o raciocínio e afectividade." Bernardo é um ajudante de guarda-livros em Lisboa que conhece Fernando Pessoa e começa a ler para o próprio o seu "Livro do Desassossego". O livro é composto de fragmentos de divagações do autor, portanto sem uma narrativa linear, cheio de observações honestas e muitas vezes brutais dilemas do cotidiano, como podemos conferir em um trecho do livro:

As figuras imaginárias têm mais relevo e verdade que as reais. O meu mundo imaginário foi sempre o único mundo verdadeiro para mim. Nunca tive amores tão reais, tão cheios de verve, de sangue e de vida como os que tive com figuras que eu próprio criei. Que loucura! Tenho saudades deles porque, como os outros, passam...

É uma obra fortemente existencialista, com reflexões e questões filosóficas que devem ser digeridas com calma e atenção pelo leitor.

Fernando Pessoa é considerado um dos grandes poetas portugueses, tendo seu valor comparado a Camões, prestigiado por Harold Bloom (apud D'AMBROSIO, 2012) como um “legado da língua portuguesa ao mundo”, Pessoa é conhecido pelo desdobramento literário de suas diversas personalidades expostas em seus heterônimos.

Esse livro pode ser encontrado sob o código G 869.3 P475L no Piso 2.

 

5 A Sibila, de Augustina Bessa-Luís

Figura 6 - reprodução de uma sibila, por Michelangelo.

File:Michelangelo Delphic Sybil cropped.jpg

Fonte: Contributors, 2014.

A Sibila trata da história de três gerações da família Teixeira, focando-se em Quina, que por seus discursos de sabedoria é comparada com as sibilas, personagens da mitologia greco-romana que teriam poderes proféticos. Os acontecimentos narram desde a queda da família até sua ascensão. É intermitente na história o resgate de recordações das personagens, onde o passado legitima o presente e vice-versa.

Há uma forma de narração da autora que caracteriza alguns eixos em suas obras, como o papel das mulheres, a importância das memórias e um discurso que se repete mas acrescentando sempre novas informações. Exprime uma complexidade que torna Agustina única na literatura. É nesse romance que a autora revela-se uma das vozes mais importantes da ficção portuguesa contemporânea.

A obra venceu os prêmios Delfim Guimarães e Eça de Queiroz. Em 2004, Augustina aos 81 anos recebeu o prêmio literário mais importante da língua portuguesa: o Prêmio Camões.  

Esse livro pode ser encontrado sob o código G 869.3 B557s.26 no Piso 2.

 

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Referências


CAMÕES, L. V. Os Lusíadas. 13. ed. São Paulo: Cultrix, 2005.

 

CONTRIBUTORS, Wikimedia Commons. Flag-map of Portugal. 11 jul. 2016. DIsponível em: https://commons.wikimedia.org/w/index.php?title=File:Flag-map_of_Portugal.svg&oldid=201295472. Acesso em: 20 set. 2017.


CONTRIBUTORS, Wikimedia Commons. Michelangelo Delphic Sybil cropped. 2 fev. 2014. DIsponível em: https://commons.wikimedia.org/w/index.php?title=File:Michelangelo_Delphic_Sybil_cropped.jpg&oldid=115421067. Acesso em: 20 set. 2017.

 

D'AMBROSIO, O. Fernando Pessoa: Ortônimo e heterônimos. UOL Educação, 21 ago. 2012. Disponível em: <https://educacao.uol.com.br/disciplinas/portugues/fernando-pessoa-ortonimo-e-heteronimos.htm>. Acesso em 05 set. 2017.

 

ESPANCA, F. A. C. As máscaras do destino. São Paulo: Aquariana, 2003. 105 p. (Coleção B).

 

PESSOA, F. A. N. Livro do desassossego. Campinas: Ed. Unicamp, 1994.  (Colecao Viagens da Voz).